Celulose Riograndense

As imagens acima nos possibilitam uma visão de cima da planta industrial da Celulose Riograndense (CPCM), localizada em uma área de 106 hectares no município de Guaíba. Os três enquadramentos apresentam os retratos antes, durante e depois da recente expansão da capacidade produtiva.  Abaixo, a sequência de imagens deixa mais claro a localidade que estamos nos refererindo.

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É uma fábrica gigantesca. Uma inspeção visual calma sobre a imagem de satélite nos permite vislumbrar detalhes incríveis do complexo industrial. Pilhas de madeira, esteiras, torres de emissão, vias de acesso, galpões e uma miríade de tanques e lagoas de efluentes. Tudo para produzir papel.

A cadeia de produção é mais ou menos assim:(1) incialmente verdadeiros oceanos de eucalipto são plantados, (2) cortados após 7 anos, as toras são cozidas, purificadas e alvejadas para isolar a celulose e (3) por fim,  após secagem e embalamento, a fibra vegetal está pronta para ser conformada em diferentes tipos de papel. A celulose é assim vendida para o mercado, especialmente o exterior, que inclui a Ásia e América do Norte. Claro, algum papel também é produzido para o mercado interno.

A fábrica é tão grande que causa um impacto enorme na paisagem das orlas da Zona Sul de Porto Alegre. Em especial porque fica à oeste, justamente onde o sol se põe, então todos olham para as torres de concreto fumegantes nos momentos de lazer e contemplação. Eu não meço as palavras: acho horrível.

Uma ótima noção de escala é comparar a fábrica com as milhares de casas que transbordam para todos os lados ao redor, no bairro Alegria. Os censo de 2010 do IBGE aponta que 3500 domicílios se agrupam em um raio menor que 1 quilômetro da fábrica. Os mesmos dados também apontam um somatório de 10.156 habitantes morando a menos de mil metros do complexo industrial. Em resumo, esses dados afirmam que temos um problema sério aí: moradias e indústria não são compatíveis nessa proximidade.

Desde o início, quando a fábrica foi inaugurada em 1972 pela empresa norueguesa Borregaard, as complicações ambientais foram delicadas. Naquela época, é claro, as precupações ambientais eram nulas. Ao contrário, a ideia de que poluição era sinônimo de progresso era muito popular. Com isso, Porto Alegre foi submetida à eventos agudos de poluição, em especial a zona sul da cidade. Isso nos impeliu à décadas de militância ambientalista contra o descaso da indústrica para com as demandas ambientais.

Hoje, graças à luta local e global por um meio ambiente equilibrado, as condições são muito mais brandas comparadas ao passado. Forças sociais impuseram sobre as indústrias responsabilidades sociais e ambientais muito maiores do que apenas empregar, processar e produzir.

Entretanto, mesmo com o alcançe de padrões de qualidade muitíssimo superiores aos de 40 anos atrás, alguns problemas persistem. Em parte devido à recente triplicação da capacidade da planta e descuidos de gestão. Em outra, pela já mencionada proximidade com milhares de residências.

Em menos de 1 ano, observaram-se acidentes com vazamentos de gases tóxicos no interior da fábrica. Com a triplicação da capacidade, cheiros nauseabundos consorciados com ruídos de maquinário foram intensificados, levado os bairros vizinhos à insônia permanente e transformando o descanso dos moradores um inferno.

Muitos moradores, desesperados, expressam sua indignação nas redes sociais, nos enventos acadêmicos e já chamam a atenção dos movimentos ambientalistas. É claro que estamos diante de uma questão socio-ambiental. A pergunta ainda sem resposta é: quais são as saídas?


Fontes:

http://www.celuloseriograndense.com.br/

facebook: Não Somos Todos CMPC: Somos Todos Guaíba

http://www.sul21.com.br/jornal/vazamento-na-celulose-riograndense-preocupa-agapan/

 

 

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