Barra Shopping Sul

Acima vemos, de cima, três cenários para os arredores do atual Barra Shopping Sul, na zona sul de Porto Alegre.

A primeira imagem nos apresenta a região em maio de 2005. Nessa época, o único empreendimento local era hipermercado BIG, surgido havia poucos anos no meio de uma paisagem um tanto erma. Falido na Ponta do Mello, o Estaleiro Só era ruínas que abrigavam fantasmagóricos carros de carnaval. A Avenida Diário de Notícias era uma ousada estradinha e o Museu Iberê Camargo era um esboço de concreto armado.

Dez anos depois, muitas coisas mudaram, mas não todas: o Jóquei Club e a escola de futebol do Grêmio ainda emolduram o cenário, que abandonou o verde pelo concreto e o asfalto. Encrustado no BIG, o mega shopping se ergueu. Estacionamentos gigantescos transbordam para todos os lados. Torres de concreto e vidro aparecem como naves espaciais alienígenas, arranhando o céu e quebrando completamente a paisagem residencial da zona sul. A avenida que antes era simples, vira uma free-way. Hoje os negócios tem tudo para seguir bem.

Contrastando com o desenvolvimento da esfera privada, o público apresenta parcos avanços: um terminal de ônibus provisório, uma ciclovia que leva o nada ao lugar nenhum e uma praça na beira do Guaíba sem nenhum tipo de acessibilidade, cercada por um oceano de carros que circulam nas avenidas triplicadas. Parece que nem mesmo a Copa do Mundo conseguiu fazer alguma obra da parte pública nesse canto da cidade entregue ao capitalismo selvagem.

Até o riachinho, chamado carinhosamente de Arroio Sanga da Morte, que escoa entre duas sufocantes vias se encontra em um estado lastimável de qualidade: a mancha negra de excrementício humano, visível na segunda imagem espalhando-se no lago Guaíba, explica a situação.

Creio que o grande avanço, ainda que relativo, é um estranho terminal hidroviário do Catamarã, que faz uma parada ali antes de partir para os terminais no Centro Histórico ou em Guaíba. A perguta é: por que ali? Por que não um terminal hidroviário na Tristeza, em Ipanema, Belém Novo, Lami?

Mesmo enfrentando as adversidades, a região é bem frequentada pela vizinhança que opta não ir passear nos corredores climatizados do shopping.  Muitos, inclusive, se atrevem a pular cercas do terreno do antigo estaleiro para, pasmem, pescar, bem ali na foz do riacho. Até quando a omissão do setor público vai se arrastar, não sabemos.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s