COHAB e KNOR

A imagem acima nos apresenta uma visão de 2011 dos arredores da Avenida Eduardo Prado, na zona sul de Porto Alegre. Ao lado esquerdo da via, localiza-se a comunidade mais conhecida por COHAB – Cavalhada. No lado direito, pode-se vislumbrar parte do condomínio fechado Parque Residencial Knor.

Descontando o fato de serem ambas localidades puramente residenciais, as divergências entre elas são impressionantes.

A COHAB é uma área urbanizada de maneira intensiva. É fácil perceber,  pela inspeção da imagem, que o uso do solo na região é concentrado: muitas vias, muitos prédios. Não é difícil induzir que a densidade populacional daquela área é exorbitante. Não é à toa que existe uma linha de ônibus específica para o local e, um detalhe importante, a frequência da linha é intensa, sendo ainda que a maioria dos ônibus vão e vêm lotados.

O nome “COHAB”, na verdade, deriva da sigla da extinta Companhia de Habitação do Estado do Rio Grande do Sul. Hoje, a tal companhia responde por SEHABS – Secretaria Estadual de Habitação e Saneamento. Essa informação também nos permite pensar que o lugar não foi erguido e planejado recentemente: é uma herança de tempos passados, provavelmente no alvoreçer do período democrático ou ainda mesmo nos tempos dos militares.

O que motivou a contrução de tal aglomerado urbano popular, com financiamento público? Não sei, mas tenho suspeitas. A construção do bairro Restinga, por exemplo, foi incentivada pelas obras de estruturação e revitalização do centro da cidade, onde o DEMHAB “catapultou” os moradores pobres da Cidade Baixa (antiga Ilhota) para o atual lugar, a 22 quilômetros de distância.

Por outro lado (literalmente), a comunidade vizinha consiste em um dos mais tradicionais condomínio de classe alta da cidade: o Parque Residencial Knor. A área de condomínio, verdejando com elegância, é maior que a própria COHAB. No entanto, as casas, além de exibirem uma geometria muito mais bonita e criativa,  apresentam uma área praticamente igual ou maior os que prédios residenciais da COHAB. Ou seja: onde cabe uma casa do Knor, cabe um prédio da COHAB. Repetindo: onde cabe uma família no Knor, cabem dezenas, na COHAB.

Em um país que se destaca como protagonista em termos de desigualdade social, ocupando posições de alto escalão nos rankings mundiais, essa situação peculiar provavelmete não nos choca muito. Afinal, a COHAB não é uma favela (como Paraisópolis), o Knor não é um bairro (como o Morumbi) e a divisão é uma avenida (e não um muro). Mas já serve para ilustrar o nível de desigualdade social e espacial que nossa cidade comporta.

Esse quadro é, no melhor dos cenários, um lembrete de como a nossa sociedade está estruturada. O peso histórico da desigualdade social se expressa no desenho urbano da cidade e afeta diretamente a nossa vida.

Uma recente publicação do FMI  (Fundo Monetário Internacional) expôs que a desigualdade econômica e social no mundo atinge seu pior nível. A boa notícia é que dizem que não é o caso do Brasil. No entanto, com uma estrutura urbana como essa, as dificuldades para vencer as desigualdades são ainda maiores.

Referências:

http://desigualdade-social.info/desigualdade-social-no-brasil.html

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/06/1642545-desigualdade-social-atinge-o-pior-nivel-em-decadas-segundo-fmi.shtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Restinga_(Porto_Alegre)

 

 

 

 

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