Ilha das Pedras Brancas

A imagem  revela a Ilha das Pedras Brancas em uma dia ensolarado de 2012.

Bem no meio do Lago Guaíba, a Ilha das Pedras Brancas é uma jóia ambiental de rochas graníticas aflorantes e vegetação nativa entre o bairro Tristeza, em Porto Alegre, e a Praia da Alegria, do outro lado. O sentimento fica mais parecido com frustração com a informação de que a ilha está há trinta anos abandonada pela gestão pública.

A razão pelo desaparecimento da atuação do Estado na Ilha pelo menos é um pouco mais animadora: a Ditadura Militar que por 21 anos prendeu, torturou e matou aqueles que lutavam contra o regime (políticos, intelectuais, soldados, sargentos e até oficiais) fez da ilha “Ilha do Presídio”, onde encarcerava e torturava os dissidentes gaúchos até meados dos anos 80. Os prédios em ruínas perfeitamente visíveis na imagem escondem muitas histórias do terror de estado que se instaurou naquela época. Ali era onde a linha dura militar, a “tigrada” (na gíria das forças armadas), fazia a festa criminosa, enquanto Atos Institucinais solapavam qualquer resquício de liberdade no país. Felizmente, agora a ilha não é mais o porão da milicada.

Antes de 1964 a ilha havia sido Ilha da Pólvora no século IXX e laboratório de suinocultura nos anos 50. Chique. Mas e aí, que regime democrático é esse, que abandonou a Ilha por 30 anos? De quem na verdade pertence a Ilha? Marinha? Governo do Estado? Municípios? Alô, alô? Acho importante resgatar um pouquinho-zinho-inho da nossa história recente, ainda mais esse ano que a “Revolução Civil-Militar” do primeiro de Abril de 1964 faz o seu infeliz aniversário de 50 anos.

Somos assim tão pobres em verbas para ajeitar 1500 metros quadrados de ruínas em uma ilha de 200 metros de comprimento dominada por rochas magníficas e vegetação exuberante? Pode ser que somos pobres em cultura e preservação da História. Ou talvez expor demais o nome antigo da ilha em um memorial turístico, histórico e ambiental pegue mal para o antigo oficialato das forças armadas. Se bem que todo mundo foi “anistiado” mesmo…

Prioridades, pelo visto existem muitas outras prioridades da gestão pública. Só pode ser isso. Alguém pode até dizer: deixa abandonado mesmo, assim se preserva a natureza da Ilha. Eu já acho o contrário. Arbitrariedades não vão preservar coisa nenhuma. Imagino que a Ilha certamente está protegida pela legislação ambiental federal e quem sabe pelo patrimônio público, assim existem mecanismos legais de proteção. O Parque Estadual de Itapuã, por exemplo, é uma beleza rara graças a um heroico esforço de conservação da sociedade civil e do Estado. Imaginem o que seriam das belas praias balneáveis do Parque hoje se não tivessem conservado-as no passado.

No caso da Ilha da Pedras Brancas, a atual gestão pública aparentemente prefere deixar para as ONGs ambientalistas e clubinhos náuticos se divertirem lá anonimamente, de preferência sem causar muito alvoroço para seu valor histórico e ambiental.


 

Fontes:

 

 

 

 

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