Foz do Arroio Dilúvio

Essa imagem, para mim, é de tirar o fôlego. Recente (2014), ela mostra perfeitamente a dispersão das águas negras do Arroio Dilúvio no interior das águas barrentas do Guaíba, dividindo o mesmo cenário com os prédios do Centro Administrativo do Estado, Ministério Público Estadual, Tribunais Federais e Estaduais de Justiça, Foro, Justiça do Trabalho (TRT), Câmara Municipal de Vereadores, Anfiteadro Pôr-do-sol, o futuro prédio da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e outros prédios de gestão pública, empreendimentos comerciais (o Praia de Belas) e arranha céus privados.

A primeira questão é: como uma sociedade supostamente tão bem organizada e culta permite que o principal arroio da cidade corra recheado de merda para contaminar o manancial de águas que a própria sociedade bebe? Não custa lembrar que uma das captações de água para consumo humano é feita logo mais abaixo, perto do Beira Rio.

A segunda questão é: desde março de 2014 o PISA (Projeto Integrado SocioAmbiental) já está em operação, tratando o esgoto coletado da cidade. As obras contaram com financiamento de R$ 203,4 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e de R$ 316,2 milhões da Caixa Econômica Federal, com contrapartida de R$ 67,1 milhões da prefeitura. Definitivamente, estamos em uma situação melhor. Mas porque ainda continua a correr recheado de merda o Arroio Dilúvio?

Descargas ilícitas. Casas, prédios, supermercados, todos descarregando ilicitamente suas águas no sistema pluvial, que não está conectado ao sistema cloacal. E aí que vem a terceira questão: em 2012, um investimento de R$ 28 milhões já havia garantido a implantação de 32 quilômetros de tubulação interceptora ao longo do arroio pelo DMAE. Em teoria, o Arroio Dilúvio está protegido de descargas ilícitas diretas desde aquela época. Definitivamente, estamos em uma situação melhor. Mas porque ainda continua a correr recheado de merda o Arroio Dilúvio?

Outros arroios que contribuem, já previamente contaminados com esgoto. O Plano Diretor de Esgotos do DMAE aponta que mais 210 quilômetros de interceptores serão precisos para sanar essa hemorragia urbana. Na certa, mais alguns milhões de reais na roda. Outra medida, o Programa Esgoto Certo, não se baseia somente em estruturas hidráulicas, mas em Educação Ambiental dos moradores da cidade, para conscietizar sobre a destinação correta do esgoto cloacal.

Mas e aí? Será que finalmente Porto Alegre está se voltando para seus arroios e sangas, seu Lago, seu Delta? Até quando o rio de merda ainda vai fluir, passando rente aos gestores e tomadores de decisão?

Às vezes eu percebo que os porto-alegrenses se desacostumaram a tomar um chimarrão com os amigos na beira do Dilúvio, a mergulhar no Guaíba naquela tarde de verão.


 

Fontes:

 

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Um comentário sobre “Foz do Arroio Dilúvio

  1. Friend Ipora, besides this last provocative sentence, there`s also another thing happening: the population from Porto Alegre have been getting use to living under this circumstance of Arroio Diluvio. For example, I hadn’t noticed how bad was the situation before ingressing into UFRGS. Actually, I still think that I do not really know how bad it probably is.

    (Sorry for english, having no accent here I decided to write this way. 😛 )

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